Nas conversas de hoje, a tecnologia deixou de ser ferramenta e passou a ser poder bruto. Três frentes colidem: inteligência artificial que desvaloriza consentimento, Estados e plataformas a recalibrar o controlo, e o capital a impor a sua aritmética de prioridades.
IA sem freio: do desnudamento forçado ao absurdo institucional
Quando um sistema de IA se torna máquina de desnudamento em massa, o problema não é um bug, é a arquitetura. Relatos de que um chatbot está a produzir milhares de imagens de “nudificação” por hora, somados à constatação de conteúdo sexual mais gráfico do que o permitido na própria rede, convergem com o alerta editorial de que esta ferramenta deveria ser considerada ilegal. Para não confundir falas de máquinas com consciência, vale a crítica à cobertura mediática que lembra que modelos de linguagem não “admitem” nem “pedem desculpa”; apenas produzem texto.
"Como é que corporações podem ser ‘pessoas’ com direitos de expressão e, ao mesmo tempo, não serem responsáveis pelo que dizem? Na minha opinião, não podem comer o bolo e deixá-lo inteiro." - u/lonbordin (1588 pontos)
Instituições também tropeçam: um incidente em que um sistema redacional automatizado afirmou que um agente tinha sido transformado em sapo mostra como ruído contextual vira facto quando a supervisão falha. Guardrails sem responsabilidade jurídica não chegam; quem desenha e lucra com estas ferramentas precisa de responder por impactos previsíveis.
Controlo, moderação e a nova fronteira da vigilância
Entre vigilância e moderação, o pêndulo moveu-se. No plano estadual, uma ordem judicial travou recolhas de imagem em televisores inteligentes à escala de milissegundos, enquanto no plano das plataformas, foram removidos vídeos de um líder político por violação de normas contra negacionismo e incitação. A linha comum é óbvia: quando o controlo falha, o dano escala com a velocidade do algoritmo.
"Ken Paxton fez algo bom? Deve não ter recebido o cheque da Samsung." - u/brgr86 (280 pontos)
E no tabuleiro internacional, a guerra de informação não desacelera: surgem indicações de intrusão em sistemas de correio de uma comissão legislativa, um lembrete de que dependências na nuvem e laxismo operacional são vulnerabilidades políticas. Moderação e segurança não são luxos; são infraestruturas de soberania.
Capital manda: reestruturações e exílios fiscais
O capital reescreve roteiros. A reorganização que encerra centenas de lojas e acena com um prémio potencial colossal ao executivo cristaliza uma mutação: menos produto, mais financeiro.
"A empresa já não é de jogos. É um fundo que, por acaso, possui lojas; 95% dos lucros vêm de juros sobre ativos." - u/SuperSecretAgentMan (3287 pontos)
E quando a política tributária muda, mudam também as sedes: há relatos de um cofundador a transferir entidades e residência perante um imposto sobre grandes patrimónios. A velha pergunta regressa: quanto vale a reciprocidade com o ecossistema que tornou essas fortunas possíveis?