Num dia marcado por humor ácido, ceticismo macro e sinais práticos de integração, r/CryptoCurrency espelhou um mercado que procura novo rumo. O tom partiu de um meme viral que recupera a velha tese de que o ouro lidera para o Bitcoin seguir, enquanto, no outro extremo, a presença de Changpeng Zhao em Davos catalisou um debate sobre o papel sistémico das stablecoins.
Narrativas de ciclo: entre o desencanto e a integração
A chamada macro do dia veio de um estratega da Bloomberg que decretou que “a negociação de Bitcoin acabou”, conselho para vender nos repiques num cenário de maior correlação e menor volatilidade. A comunidade contrapôs com um ensaio que desmonta a expectativa de uma “alt season”, apontando para erosão do apetite retalhista e migração de capital para temas como inteligência artificial.
"Corajoso da parte deles declarar um topo depois de já termos corrigido meros 50.000 dólares..." - u/sdpercussion (104 pontos)
O desencanto fica tangível no colapso do memecoin ligado a Trump, que ilustra o ciclo clássico: lucros concentrados nos primeiros, perdas pesadas para quem chega tarde, e clamor por maior diligência e regulação. Em paralelo, a normalização institucional segue o seu curso — refletida em Davos — com foco em regras para dólares em cadeia e ativos tokenizados, mesmo num ambiente em que o humor do dia ainda brinca com a velha máxima de que “primeiro mexe o ouro, depois o Bitcoin”.
Adoção, crédito e o teste de risco
A infraestrutura de mercado avançou com o lançamento de crédito colateralizado por ether, permitindo liquidez sem vender o ativo e impondo rácios de proteção que lembram que o risco de liquidação é real. Do lado da aceitação no terreno, um projeto de lei em Oklahoma para permitir pagamentos em Bitcoin sinaliza ambição pública, ainda que muitos apontem que negócios e cidadãos já podiam fazê-lo.
"Que importa em que moeda ele pagou? Se fosse em numerário não seria diferente; aliás, provavelmente seria ainda menos rastreável." - u/Coakis (22 pontos)
Na frente comercial, multiplicam-se relatos de negócios locais em Las Vegas a aceitar Bitcoin, impulsionados por custos de transação mais baixos face aos cartões. Esse avanço convive com um retrato duro dos ataques de 2025, que somaram 2,38 mil milhões e expuseram fragilidades de plataformas, e com a vertente penal, como demonstra a condenação num caso de pagamento de fentanil com Bitcoin que reacendeu o debate sobre rastreabilidade e tecnologia versus uso ilícito.