Os institucionais compram enquanto o varejo recua e ativos desaparecem

As pressões regulatórias, a acumulação oficial e a utilidade emergente redefinem o apetite por risco.

Tiago Mendes Ramos

O essencial

  • Investidores institucionais aumentam compras após queda de 25% na maior criptomoeda.
  • Relatório indica mais de 11 milhões de criptoativos extintos em 2025.
  • Justiça condena operador por fraude de 5,4 milhões a três anos de prisão.

Num dia em que as forças institucionais disputam terreno com a procura por utilidade real, as conversas em r/CryptoCurrency revelaram uma travessia entre regulação, apetite de capital e desgaste do público de varejo. O fio condutor é claro: enquanto o dinheiro grande consolida posições e governos clarificam intenções, a base procura soluções tangíveis e aprende com os excessos recentes.

Instituições, regulação e a narrativa do valor

O embate sobre quem define as regras do jogo ganhou força com o alerta do presidente executivo da Coinbase, que denunciou a pressão dos bancos para “matar a concorrência” via regulação; a comunidade acompanhou a mudança de posição da empresa na discussão sobre a proposta legislativa, retomando o debate sobre ethos de descentralização e captura regulatória.

"O rendimento não é o único problema. Há muita coisa errada nessa proposta. Surpreende-me a falta de debate aqui. Parece que o ethos de descentralização, ser o seu próprio banco, já não faz parte da narrativa. Poucos veem a ironia de um intermediário a lutar contra um projeto por causa do rendimento..." - u/uncapchad (48 points)

Ao mesmo tempo, os grandes investidores reforçaram posições, como se vê na análise sobre por que instituições compraram BTC mesmo com queda de 25%, enquanto a narrativa de escassez ganhou palco na afirmação de Cathie Wood de que o Bitcoin é mais escasso do que o ouro. Em paralelo, a arena pública foi sacudida pela negação oficial de vendas de reservas de BTC pelo governo dos EUA, sinalizando uma postura estratégica de retenção.

"Faça o que eles fazem, não o que eles dizem." - u/Odd_Copy_8077 (40 points)

Varejo em retração: fadiga, fraudes e migração de riscos

Sem o empurrão contagiante da euforia, a base parece estar a arrefecer, como se lê no diagnóstico de que o interesse do varejo está a esmorecer. O ambiente foi agravado por um excesso de projetos de baixa qualidade, espelhado no levantamento que aponta a morte de mais de 11 milhões de tokens em 2025, em grande parte impulsionada por fábricas automatizadas de moedas e ciclos de pump-and-dump.

"O CZ a puxar o tapete a toda a gente constantemente provoca isso..." - u/Material-Gift6823 (50 points)

Perante a incerteza e a competição predatória entre pares, muitos estão a deslocar-se para formatos de risco com regras mais claras e liquidação instantânea, como descreve a explicação sobre a migração do varejo para plataformas de aposta e previsão. Esse pano de fundo de desconfiança é reforçado por casos judiciais, como o processo que condenou um homem em Utah por um esquema de fraude de 5,4 milhões, lembrando que o risco operacional e reputacional permanece elevado.

"Quando se percebe que a maior parte do volume são bots e degenerados a negociar os sacos uns dos outros... pelo menos os jogos de casino liquidam instantaneamente e não fingem ser 'investimento'..." - u/imdjd (10 points)

Utilidade e infraestrutura: pagar e participar

Num contrapeso à pura especulação, surgem sinais de utilidade quotidiana: a integração que permite pagamentos reais com a carteira Phantom liga saldos on-chain às redes de aceitação tradicionais, reduzindo fricção para gastar cripto em lojas sem perder custódia.

No plano da participação em rede, a vitalidade mantém-se com a marca de staking recorde e ambição de preço para o ETH, sugerindo confiança de longo prazo na segurança e na economia do protocolo, mesmo num ciclo onde a atenção do público oscila.

Cada subreddit tem narrativas que merecem ser partilhadas. - Tiago Mendes Ramos

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Fontes